Troca de tiros entre torcidas reacende debate sobre fim das organizadas na Paraíba

Promotora Adriana Amorim

Após cenas de violência manchar o ‘Clássico dos Maiorais’ entre Campinense e Treze, no último domingo (12), o debate sobre o fim das torcidas organizadas na Paraíba foi reaberto. De um lado o tenente coronel PM, Souza Neto, e o Ministério Público do Estado, que são a favor da extinção das torcidas; do outro, os presidentes dos clubes que vêem a atitude como radical.
Souza Neto enviou, nesta segunda-feira (13) um documento ao Ministério Público pedindo o fim das torcidas organizadas na Paraíba. “Vamos precisar que aconteça uma tragédia maior para que medidas mais enérgicas sejam tomadas no nosso Estado? Enviarei um documento ao Ministério Público solicitando o fim destas torcidas”, comentou Souza Neto.
A promotora do consumidor, Adriana Amorim, informou que ainda não recebeu a documentação do Comandante do 2º BPM, mas irá estudar todos os fatos e provavelmente acatará o pedido dele. “O Estatuto do Torcedor prevê que as torcidas devem se organizar com um único propósito de promover a festa do seu time de coração. Se for verificada que alguma torcida não está atuando dessa forma e agindo de maneira ilícita, podemos sim, acatar o pedido do Souza Neto”, salientou a promotora.
Por outro lado, o presidente do Treze, Eduardo Medeiros, não vê com bons olhos e considera a medida radical. “Não vejo com bons olhos essa medida radical. Precisamos ter fiscalizações e discussões. O que não pode é um jogar a culpa para o outro e ninguém resolver nada. A polícia não pode punir toda a torcida, por causa de um grupo infiltrado”, entende o presidente do Treze.
O presidente do Campinense, William Simões, disse que não gostaria de se pronunciar sobre o caso. “Não quero me envolver e nem me pronunciar sobre o caso”, afirmou.

Neste domingo (12), segundo relatos da Polícia, um grupo de jovens das torcidas organizadas do Treze e do Campinense marcaram através da internet, um confronto no bairro do Catolé, em Campina Grande. Durante a pancadaria, quatro pessoas ficaram feridas, sendo que duas, foram socorridas para o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina. Um dos torcedores foi atingido no tórax e corre o risco de ficar paraplégico. Já a outra levou um tiro de raspão na cabeça e já foi liberada pela unidade hospitalar. 

Tayrone André Hortino, 18 anos foi atingido com um tiro nas costas e de acordo com o neurocirurgião Amauri Filho, do Hospital de Trauma, o jovem pode ficar paraplégico devido à falta de força muscular. “Ele sente as pernas muito levemente, mas não tem força de ficar em pé. Há uma grande possibilidade dele fica paraplégico devido à lesão grave na coluna cervical pelo disparo de arma de fogo”, explicou.
Já um adolescente de 16 anos, foi atendido na unidade e liberado.
A briga teria ocorrido entre integrantes da Torcida Jovem do Treze e da Facção Jovem do Campinense. Os dois grupos começaram a confusão atirando pedras. Em seguida houve troca de tiros.
Segundo Souza Neto, a tragédia só foi maior porque uma guarnição da Polícia Militar passava perto da briga. “A tragédia só não foi maior, porque uma guarnição da PM passava no local. Poderia ter tido até morte no local”, salientou tenente coronel.
Selecionamos para você