Marcos Pontes rebate declaração de Damares Alves: ‘Não se deve misturar ciência com religião’

Astronauta discordou de declarações feitas por pastora

“Não se deve misturar ciência com religião”, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, nesta quinta-feira (10). A declaração foi uma resposta à ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), que em vídeo disse que a igreja evangélica perdeu espaço na história ao “deixar” a teoria da evolução entrar nas escolas.

“Ela deve ter falado isso em algum tipo de contexto que eu não sei exatamente”, afirmou Pontes, em entrevista à rádio CBN. “Mas, do ponto de vista da ciência, são muitas décadas de estudo para formar a teoria da evolução desde o início. Ou seja, não se deve misturar ciência com religião.” O vídeo de Damares viralizou na quarta (9).

Nas imagens, que não têm data de identificação, a ministra diz: “A igreja evangélica perdeu espaço na história”. E complementa: “Nós [evangélicos] perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos [a teoria da evolução]. E aí os cientistas tomaram conta dessa área”.

Em nota enviada à TV Globo, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos informa que a declaração “ocorreu no contexto de uma exposição teológica e não tem qualquer relação com políticas públicas que serão fomentadas” pela pasta. “Não há relação entre a atuação da titular como líder religiosa e funções como gestora pública.”

Terrivelmente cristã

Semana passada, em discurso de posse, Damares – que é pastora evangélica – avisou: “O Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã“. Entre outros temas, ela disse que “a brincadeira acabou” para pedófilos, que os índices de feminicídio são uma “vergonha” e, em referência ao aborto, disse que a pasta será o “ministério da vida”.

Um dia depois (3), começou a circular nas redes um vídeo em que, após a posse, ela dizia: “Atenção, atenção. É uma nova era no Brasil. Menino veste azul e menina veste rosa”. Após uma chuva de críticas, ela tentou se justificar. “Fiz metáfora contra ideologia de gênero, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido.”

*Com informações do Estadão Conteúdo

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