OPINIÃO: Não confundamos ‘acidente’ com irresponsabilidade humana

Por Yago Fernandes

O brasileiro é caso de estudo científico. E não me refiro as suas descobertas na ciência ou qualquer outro mérito existente. Dessa vez, estou a falar da estupidez do povo. Você com certeza acompanha o drama de Brumadinho, MG. Uma calamidade que assola o país. As vidas que foram ceifadas – e o número de mortos só cresce – são resultados da irresponsabilidade humana. Já nem falo do hediondo crime ambiental. Bem, não irei me deter no assunto pelo motivo de você saber as causas que levaram ao rompimento da barragem. A mesma está no Relatório de Segurança de Barragens (RSB), divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA), onde considerou 45 barragens vulneráveis e sob risco de rompimento, com aumento de 80% em relação ao ano anterior… Nada foi feito para sanar o problema.

Paralelo a essa questão, temos outro assunto que trata de irresponsabilidade… a do trânsito. Acho inúteis as campanhas publicitárias que falam “Se beber, não dirija”. Não adianta de nada. É perda de tempo. Ou você acha que podemos educar um adulto sob o efeito de álcool? Claro que não! A regra é clara… aos mais velhos, a penalização, às crianças… educação.

Alguém fez a curva aberta demais, alguém entrou na contramão… Isto não está sendo dito. Nós da imprensa não costumamos dizer a causa do ‘acidente’. Não dizemos porquê isso causa constrangimento à família enlutada… Ué, temos que responsabilizar quem quer que seja! Excesso de velocidade, ultrapassagem indevida, uso de álcool, o que for… A verdade é que tem que haver uma punição severa e exemplar. –“Ah, mas fulano perdeu pontos na carteira…” Não resolve o problema. O sujeito tem que perder o carro, tem que indenizar as vítimas, não dirigir nunca mais… Só assim os imprudentes aprenderão com a lição.

A bebida – assim como outra droga, lícita ou não – altera as funções cognitivas de nós todos. Isto é, a nossa percepção de tempo e distância sofre alterações… tenhamos consciência ou não. E será que o camarada não sabe disso? Claro que sabe. Enfim, vamos continuar tendo mais fatalidades por causa de boçais que bebem e pegam o volante… Ah, fizestes isso? Então te preparas… vais te arrepender por ter nascido. Mas com estes frouxos da Legislação? Como podemos ter uma lei severa e que puna? Ai, ai… Não esperemos dias melhores.

Alterações

Diz o advogado – “Meu cliente estava sob o efeito de álcool. Não pode responder por tal crime.” Você com certeza já ouviu esse argumento pífio de muitos advogados para defender o criminoso.

Faça o teste… Você pode dopar qualquer pessoa com a pior das drogas existentes e convidá-la para assaltar um banco. Se a pessoa não for, é porque o caráter dela presta. Caso vá, é bandido de primeira. Que fique claro: nenhuma droga altera o caráter do indivíduo, apenas reforça o mesmo. Caráter, instância moral da personalidade.

É preciso respeitar

Nenhuma curva foi feita para ser vencida, como nenhum mar perigoso foi feito para “enfrentar”. Respeitemos as coisas como são… ou pagaremos um preço altíssimo.

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