Morador de Alagoa Nova/PB chega aos 106 anos e afirma: “o segredo da longevidade é trabalhar bastante”

Uma das preocupações de todos nós, é chegar a terceira idade com bastante saúde e disposição para poder descansar e aproveitar a vida de forma mais tranquila. Mas quem imagina passar dos 100 anos? Foi o que aconteceu com o senhor Luís Venâncio. Natural de Pilões, veio morar em Alagoa Nova ainda quando criança junto da família. Filho de Venâncio Alves de Souza e Minervina Maria da Conceição, Luís nasceu no dia 26/02/1913.

De uma família de 5 irmãos, ele contou um pouco da sua infância de muito trabalho: “A gente trabalhava no engenho macaíba de Luís Melo na produção de rapadura e em outras coisas que mandassem a gente fazer. Era um tempo muito difícil porque mesmo com fome a gente tinha que trabalhar”, afirma Luís, que também disse que o segredo para viver tanto tempo é trabalhar bastante: “o segredo de chegar a essa idade foi trabalhar muito. Hoje em dia as pessoas não tem mais a mesma vontade de trabalhar como a gente tinha antigamente”.

Luís passou a maior parte da sua vida morando na zona rural e sempre trabalhando para donos de engenho, e assim construiu a sua família. Casou-se com Helena e com com ela teve 5 filhos. Marilda, uma das filhas e que atualmente cuida de Luís, lembra com carinho o pai dócil e amoroso que ele foi: “Pai sempre foi muito dócil e amoroso, nunca bateu na gente, mãe Helena era quem de vez em quando dava uma surra na gente, e eu sempre corria pra me esconder no partido de cana porque quando pai voltava do trabalho ele me levava de volta e não deixava ela bater na gente. Quando ele me via lá no partido já sabia que eu estava me escondendo de mãe”. Assim como o pai, Marilda também teve uma infância de muito trabalho no sitio Pau D’arco: “Seu Celestino era o dona das terras de onde a gente morava, e ele sempre colocava os filhos dos trabalhadores dele pra trabalhar também, mesmo se a gente estivesse doente tinha que ir de todo jeito porque senão ele colocava a gente pra fora das terras dele. Eu dei graças a Deus quando me casei com 19 anos e não precisei mais trabalhar” 

Apesar da idade, a memória de Luís é muito boa, e ele lembra com clareza de muitas histórias, uma delas, a queda da torre da igreja de Santa Ana, padroeira de Alagoa Nova, onde ele trabalhou na reconstrução da torre: “Trabalhei na reconstrução da torre da igreja, e no tempo era padre Borges que comandava. Eu ia na lagoa pegar terra e trazia pra igreja. Na hora do almoço a gente comia bacalhau com farinha.”  

O aniversário de Luís foi no último dia 26 de fevereiro, mas a comemoração aconteceu no último domingo, dia 3, e reuniu a família e amigos em grande festa.  

Não só é a idade de seu Luís que chama a atenção. Ele também tem uma família grande, composta por 11 netos, 20 bisnetos e 12 tataranetos. Rodrigo, de 37 anos, é um dos bisnetos de Luís, e conta o carinho que tem pelo avó: “Ele é muito tranquilo, uma pessoa boa de lidar. Comecei a conviver com ele quando eu tinha 20 anos e hoje em dia considero ele como o meu segundo pai” 

Quando perguntando do que mais sentia saudade, seu Luís respondeu que sente falta dos amigos e da família. Um de seus passa tempo preferidos, é sentar na calçada para acompanhar o dia a dia das pessoas. Além disso, seu Luís faz questão de cuidar de suas finanças, sabendo até o dia certo de retirar o dinheiro no banco. A sua saúde é boa, tendo apenas um problema na audição que começou no ano passado. 

Da Redação com Alagoa Nova Já

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