Ricardo rompe último fio da relação com João

Pra quem gosta de política, de cada nove entre dez perguntas uma se repetia até ontem, na Paraíba: esse incêndio entre Ricardo Coutinho e João Azevêdo é real?

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) tomou a iniciativa e decidiu responder a essa inquietação com todas as letras e com o discurso contundente que lhe é peculiar.

Ele escolheu o Conexão Master, do apresentador e empresário Alex Filho, na TV Master, para homologar publicamente o divórcio político com João Azevêdo.

Em linhas gerais, conforme o conteúdo jornalístico que a mídia digital veiculou, o rompimento atende a um critério pouco comum na política. E ele se dá, no caso de Ricardo com João, por uma ‘questão de estilo’.

Coutinho reclamou da postura de João frente a temas polêmicos e os embates nacionais. De certo, esperava um Azevêdo empenhado no front contra o governo Bolsonaro. “João não tem posição”, desdenhou.

Ricardo acusou o governo de parar de investir no Estado e de só ter três obras começadas. Para o ex-governador, todas as que estão em execução ou inauguradas vieram do “meu governo”. Assim mesmo, no singular.

Não deixou de reclamar da exoneração de secretários (a maioria alvo de investigação ou presa na Operação Calvário) do seu período e de “militantes do PSB”.

Até pediu desculpas pelo “o que aí está”. Pólvora pura!

Foi um pronunciamento preparado para desconstruir, torpedear o atual governador e assumir, oficialmente, o comando da oposição e do contraponto político.

Pouco ou nada, porém, sobre a até hoje inexplicável intervenção, resultado de um movimento de coleta de assinaturas nos bastidores para destituir o então presidente do PSB, homem de confiança do próprio Ricardo, Edvaldo Rosas, logo após este assumir a Chefia de Governo de João.

No geral da retórica, nada surpreendente, por sinal.

A narrativa se repete, sobretudo, quando crava: “João não tem projeto, o projeto é o nosso do PSB”. A fala é quase um flashback do rompimento com Luciano Agra, em 2012.

É réplica também o argumento de que João “não se elegeria nem para vereador”, uma frase verbalizada primeiro pela impetuosa vereadora Sandra Marrocos.

Surpresa mesmo é a escolha de Ricardo pelo rompimento no nascedouro do governo, sem tempo razoável para uma avaliação sóbria sobre os resultados de gestão.

O governo tinha pouco mais de 100 dias e o ex-governador já desancava seu sucessor. Aquela fatídica entrevista coletiva em Cajazeiras foi o primeiro gesto público. Nos bastidores, com intensidade maior na reunião do PSB de maio que “avaliou” o governo João.

Uma cronologia que permite clareza quanto a natureza da divergência, de ordem nitidamente mais pessoal, quase emocional, do que de fundo conceitual-administrativo.

Outro ineditismo político é a inversão do costume. No caso recente, é o criador que rompe com a criatura. Antes mesmo de o atual governo completar seu primeiro ano, Ricardo escolheu a via da oposição e antecipou o calendário de 2022.

Com Blog do Heron Cid

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